4 de novembro de 2010

Orgulhosa e com Saudades do Traje

  Estavamos na semana académica e eu, como boa estudante universitária que sou, ia trajadissíma (nem a colher faltou: obrigada F.!). Bom, lá ia eu, subindo as escadas da estação de metro do Campo Grande, orgulhosa e cheia de dores nos pés (graças aqueles lindos sapatinhos). Passado um bocado, veio o metro. Sentei-me ao fundo da carruagem, já farta daquele sorriso patético que fazem quando nos vêem trajados (uns porque se lembram dos seus gloriosos tempos de faculdade, outros porque têm filhos ou netos na mesma situação, e outros ainda porque ficam ansiosos que os seus descendentes cheguem ao nível minímo exigido para que possam trajar, vá-se lá entender esta gente!). Ao meu lado sentou-se um senhor de meia idade e ar bonacheirão.
   - Menina, tem a capa a arrastar no chão. - reparou ele.
   - Oh!Tem razão. - disse eu, pouco surpreendida, já que estou acostumada ao meu metro e meio e à imensidão da capa, arregaçando-a rapidamente.
   - Menina, acha que posso segurá-la por si?
   Fiquei comovida, e deixei de ter dores nos pés e saí do metro a sorrir.

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